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A morte de Ricardo Boechat em uma queda de helicóptero

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A morte de Ricardo Boechat em uma queda de helicóptero

 

 

O jornalista Ricardo Boechat, um dos mais respeitados e populares comunicadores do país, morreu em 11 de fevereiro de 2019, após a queda do helicóptero em que viajava em São Paulo. Aos 66 anos, Boechat voltava de uma palestra em Campinas quando a aeronave, um modelo Bell 206, caiu sobre a Rodovia Anhanguera, próximo ao quilômetro 7, na zona oeste da capital paulista. Além dele, morreu também o piloto Ronaldo Quattrucci.

De acordo com as investigações conduzidas pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), o helicóptero apresentava irregularidades operacionais. A aeronave não poderia realizar transporte por táxi-aéreo, mas era usada com essa finalidade. Testemunhas relataram que o piloto tentou um pouso de emergência na pista, mas acabou colidindo contra um caminhão que transitava no local. A perícia apontou falhas mecânicas relacionadas ao eixo do rotor como uma das possíveis causas da queda, embora não tenha sido possível confirmar um fator único e determinante.

A morte de Boechat gerou comoção nacional. Repórteres, colegas de redação e políticos destacaram sua independência editorial e estilo direto, características que o tornaram uma das vozes mais ouvidas do jornalismo brasileiro. O velório no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, foi aberto ao público e recebeu milhares de pessoas. A Band, emissora onde ele trabalhava, dedicou sua programação ao jornalista, em uma cobertura marcada pela emoção de colegas de estúdio.

Boechat deixou uma carreira sólida em diferentes veículos. Atuou em jornais impressos como O Globo, O Dia, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Na televisão, consolidou-se no Jornal da Band e, no rádio, liderava a audiência na BandNews FM, onde mantinha conversas francas e críticas incisivas sobre política e economia. Sua morte interrompeu uma trajetória que combinava credibilidade com linguagem acessível, aproximando o jornalismo do cidadão comum.

A tragédia expôs fragilidades do setor de aviação executiva no Brasil, em especial no uso irregular de aeronaves para transporte de passageiros. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reforçou a fiscalização sobre empresas e helicópteros que operam em centros urbanos. Familiares do piloto e de Boechat entraram na Justiça contra a empresa proprietária da aeronave, cobrando responsabilidades civis e indenizações.

Ricardo Boechat é lembrado como um jornalista inquieto, crítico e popular. Sua morte não apenas deixou uma lacuna na imprensa, como também reforçou debates sobre segurança aérea e regulação do setor. Para milhões de ouvintes, telespectadores e leitores, o silêncio de sua voz continua sendo sentido diariamente.

 

Veja neste vídeo da TV Band como foi a cobertura do acidente: Clique aqui para abrir