Como funcionam as escutas telefônicas

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O chamado “Sistema Guardião” é um aparelho de escuta telefônica, teoricamente destinado apenas aos órgãos de inteligência policial. Mas pode estar sendo usado por empresas privadas, ou até por organizações criminosas, segundo uma reportagem do jornal “O Globo”.

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No Paraná o assunto foi muito debatido quando se noticiou o uso sistemático do “Guardião” pelo governo anterior. No site da empresa, o sistema é descrito como “possuidor de diversas funcionalidades que facilitam processos de investigação. Os dados interceptados pelas operadoras de telefonia e pelos provedores de acesso à internet são armazenados pelo sistema, possibilitando o cruzamento de informações para a elaboração de relatórios de inteligência. O “Guardião” não realiza interceptações, já que apenas recebe e armazena dados e gravações. E só pode ser instalada nos servidores de agentes públicos com poder de investigação. As interceptações acontecem mediante autorização judicial, de forma segura e de acordo com a legislação brasileira. O sistema oferece recursos para análise, cruzamento de dados interceptados e identificação”.

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Em outra reportagem, a Revista Época informou sobre as características da escuta telefônica no Brasil. “Primeira: o grampo vem sendo usado não só como instrumento legítimo de investigação, mas também como uma estratégia de vigilância quase aleatória. É desse modo que funcionam equipamentos capazes de gravar até 400 conversas telefônicas simultâneas, a partir do monitoramento de uma única linha. Quando uma pessoa que não está sendo legalmente grampeada recebe uma ligação de outra que está, o novo número é adicionado ao sistema. Se forem detectadas conversas suspeitas, aí o grampo é solicitado à Justiça e uma nova linha passa a ser monitorada.

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Ainda que pareça o mais eficiente aliado da Polícia Federal no combate ao crime, o grampo é apontado por um dos delegados da Divisão de Inteligência como apenas mais um mecanismo de apuração. Em alguns casos, nem a ordem judicial para grampear o telefone ajuda. Os criminosos mais sofisticados já descobriram como evitar o grampo. “Os bandidos estão mudando os modos de agir”, diz um investigador da PF. “Há cinco anos, conseguíamos descobrir carregamentos de drogas com as interceptações. Hoje, os traficantes já não falam normalmente ao celular. Quem sabe que está cometendo um crime usa códigos com receio de ser um alvo numa investigação”, afirma um delegado da Inteligência”.

 

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