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A foto acima é do Viaduto do Carvalho no Paraná em foto de Arthur Wischral, sem data.
Via Anchieta em São Paulo no anos de 1947.
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Antiga estação de trem “Marumby” entre Curitiba e Paranaguá, no litoral paranaense..
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Serra do Mar no Paraná sem data..
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Serra do Marumby atual no Paraná..
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Localização das Florestas da Serra do Mar..
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Foto aérea de André Bonacin, editada por Thiago Korb, com a identificação de locais do principal trecho paranaense..
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Em uma entrevista gravada em 1997, a irmã do arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, a doutora Zilda Arns, contou a história da família. Leia abaixo:
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José Wille – Há 150 anos, a família Arns chegava ao Brasil…
Zilda Arns – Exatamente. Em 1848, meus bisavós e tataravôs, também por parte de pai e mãe, chegaram ao Brasil e se instalaram em Santa Catarina.
José Wille – E fundaram uma cidade.
Zilda Arns – É… Foram primeiro para São Martinho e depois meu pai, aos 18 anos, foi para o sul de Santa Catarina, logo depois de Criciúma, um pouco antes de Araranguá e fundou junto com dois amigos o município de Forquilhinha.
José Wille – Os imigrantes não podiam contar com o governo na época. Eles se organizavam por conta própria, com suas próprias comunidades. Como foi esse trabalho de instalação?
Zilda Arns – Sou a décima segunda de 13 irmãos e, portanto, não vivi os primeiros tempos, mas no meu tempo não se contava com o governo. Eu mal sabia que existia governo. Nós mesmos construímos a escola, a biblioteca pública, a igreja, a casa do padre e das irmãs. Tínhamos uma atividade comunitária muito intensa.
José Wille – E seus pais se dedicavam à agricultura, pecuária e comércio na cidade.
Zilda Arns – Indústria, fábrica de queijo, de banha e de outros, que depois se transformaram em uma cooperativa. Todos os colonos participavam do mesmo empreendimento.
José Wille – Como foi, para uma colônia alemã, a Segunda Guerra Mundial em Santa Catarina?
Zilda Arns – Eu era criança naquele tempo, mas nós sofremos muito, porque um tio meu, o tio Jacob Arns, um grande professor, foi preso por 9 meses só porque acharam algo de geografia alemã na gaveta da cozinha. E estávamos muito apavorados que pudessem prender meu pai. Nós falávamos sempre em alemão, mas, quando víamos uma pessoa estranha, tínhamos um código e começávamos a falar em português.
José Wille – Como era para uma criança, ser considerado um estrangeiro na sua própria pátria?
Zilda Arns – A gente era de origem alemã e os outros eram os brasileiros. Então, realmente era uma questão muito difícil, uma questão cultural que, aos poucos, foi se desfazendo. Nós viemos para Curitiba estudar, porque meus pais davam muito valor ao estudo e a gente foi incorporando a cultura brasileira.
José Wille – A música era uma tradição da família.
Zilda Arns – Nós tínhamos uma vivência familiar fortíssima. Todas as noites nos reuníamos para rezar e cantar a três, quatro vozes. E até hoje os irmãos, ainda 12 vivos, quando nos reunimos, sempre cantamos da mesma forma. Tínhamos uma tradição de música, pois todos nós tocávamos e cantávamos… Eram muito bonitas a vida familiar e a vida comunitária. A gente na escola aprendia flauta, participava de coral, esportes… Eu considero hoje que a escola que tínhamos era realmente um privilégio.
José Wille – Dos treze irmãos, seis foram para a carreira religiosa – até uma irmã adotiva também. Era muito forte a religião na família.
Zilda Arns – Eram valores culturais. Por exemplo, lembro-me que, quando era criança, a mamãe fazia pão e mandava levá-lo para a casa do padre, para as irmãs. Quando passavam visitas importantes, sempre iam a nossa casa. A religião ocupava um lado cultural muito grande – até hoje – e creio que é por isso que toda a família, não só os consagrados, é muito religiosa.
José Wille – Dom Paulo Evaristo Arns, seu irmão, que é cardeal de São Paulo, seguiu essa mesma trilha…
Zilda Arns – Ele é o quinto dos 13 irmãos, e é precedido por uma freira, e duas freiras irmãs de sangue o seguem. Mais tarde, uma senhora alemã em Porto Alegre morreu no parto e meu pai, com muita pena dos órfãos, adotou um casal e essa menina virou freira também.
José Wille – Existia também o incentivo para a carreira religiosa?
Zilda Arns – Não, eu creio que isso brotava. Até papai, muitas vezes, freava um pouco. Lembro da minha irmã mais velha, que queria estudar no colégio de freiras. Meu pai lhe disse que deveria completar 20 anos para saber se realmente queria seguir a vida religiosa. Então, ele não incentivava, mas sempre procurava realmente uma decisão muito consciente.
José Wille – Dom Paulo Evaristo Arns, principalmente no período de repressão no governo militar, teve um papel bastante importante como defensor dos direitos humanos dos perseguidos. A senhora com muita frequência ia a São Paulo, pois estava estudando. A senhora acompanhou esse trabalho do seu irmão?
Zilda Arns – Ele realmente foi um pastor para todas as pessoas, e as que mais sofreram são as que mais ele ajudou na época. Em 1977, eu fiz o curso de Saúde Pública e fiquei o ano inteiro na casa dele. Sempre voltava nos finais de semana para Curitiba, mas durante a semana estava lá e presenciei muitas mulheres entrando na residência dele, chorando e pedindo sua ajuda, pois o marido estava desaparecido e, às vezes, o filho também. E havia também senhoras argentinas, que vieram pedir socorro a ele pelo mesmo motivo. E ele sempre as atendia com calma, pois tinha muito diálogo e muita coragem. Ele foi ameaçado muitas vezes de morte, mas acredito que jamais pensou em deixar de atender aqueles que ele considerava como seus filhos nesse momento de perseguição política.
José Wille – Foi um importante negociador para essas pessoas que estavam desaparecidas e que poderiam estar sendo torturadas, presas. Ele tentava descobrir a localização dessas pessoas.
Zilda Arns – Há quatro anos, ele foi homenageado no Congresso e uma infinidade de deputados federais e senadores se referiu a Dom Paulo Evaristo Arns como aquele que “não os deixou serem presos ou conseguiu tirá-los da prisão”. O presidente Fernando Henrique também diz que lhe deve essa gratidão.
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Emílio Gomes foi eleito indiretamente pela Assembléia Legislativa do Paraná em 1973, após a morte do ex-governador Pedro Viriato Parigot de Souza. E completou a gestão até o ano de 1975. Veja abaixo o relato dele sobre o dia 31 de março de 1964, quando estava em Brasília como deputado federal.
Emílio Gomes – Aquele dia foi bastante agitado. Eu fazia parte da administração da mesa da Câmara dos Deputados e fomos convocados a comparecer ao Congresso no horário fora da reunião normal. E o objetivo era ter o maior número possível de deputados de nossa ala comparecendo na sessão que teria lugar mais à noite.
José Wille– Em que partido o senhor estava na época?
Emílio Gomes – Eu estava no Partido Democrático Cristão.
José Wille – A mobilização era em que sentido?
Emílio Gomes – No sentido de que os correligionários mais ligados a nossa ala formassem um grande bloco dentro do plenário do Congresso, porque a sessão seria do Congresso Nacional, convocado pelo então presidente do Congresso, o senador Áureo de Moura Andrade.
José Wille – A notícia da mobilização militar – como chegou até o senhor?
Emílio Gomes – Fomos convocados a chamar os colegas partidários para comparecer em massa ao Congresso. Eu não imaginava que o desfecho fosse aquele. Eu acreditava que fôssemos tomar outra posição. Quando o presidente abriu a sessão, disse “Comunico ao Plenário que o senhor presidente da República, João Goulart, afastou-se do país sem o devido licenciamento do Congresso Nacional, motivo que o coloca impossibilitado de continuar a presidir essa nação. Assim sendo, declaro vaga a presidência da República e convoco os senhores deputados a comparecerem ao Palácio Alvorada para a posse do substituto legal, o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Ranieri Mazzili”. E deu por encerrada a sessão. Esse foi um momento em que todo o Congresso foi tomado de surpresa, naturalmente. Todos avançaram para a mesa e o senador Áureo de Moura Andrade foi aconselhado a sair por uma porta atrás da mesa, que ficava no alto. Ele se negou e saiu pela frente, enfrentando, pois tinha uma personalidade muito grande. Encarou todo mundo, saiu e nada ocorreu contra ele.
José Wille – Mas os deputados já tinham a noção da mobilização militar, do tamanho dessa mobilização pelo país?
Emílio Gomes – Alguns tinham, os mais chegados tinham. Eu não tinha conhecimento, então.
José Wille – Qual era a sua preocupação naquele momento?
Emílio Gomes – A minha preocupação era que se mantivesse o clima da democracia. Mais tarde, comuniquei minha família – “Olha, possivelmente nós tenhamos que encerrar aqui nossa presença em Brasília. Vamos nos dar por felizes, por satisfeitos e vamos ter que recomeçar tudo”.
José Wille – O que os deputados pensaram em fazer naquele momento, quando não existia a consciência do que aconteceria politicamente com o Brasil?
Emílio Gomes – Os deputados foram convocados pelo presidente do Congresso Nacional a comparecer ao Palácio do Planalto, para a posse de Ranieri Mazzili. A Constituição prevê que, na falta ou impedimento do presidente ou vice-presidente, os substitui o presidente da Câmara dos Deputados, que, em 30 dias, providenciará a eleição do substituto legal, por eleição indireta do Congresso Nacional. E o Ranieri, então, assumiu na qualidade de substituto legal constitucional do presidente. Dirigimo-nos aos corredores do Congresso e, com a preocupação das possíveis reações do poder armado, atravessamos os jardins e a Avenida da Esplanada dos Ministérios até o Palácio.
José Wille – Os deputados chegaram a se armar?
Emílio Gomes – Eu mesmo tinha um revólver em punho, recém-comprado. A preocupação era com qualquer reação que fosse, porque íamos assistir a um ato de posse de um presidente que não era o da facção recém-deposta.
José Wille – Chegavam a Brasília com exatidão as notícias sobre a mobilização militar no Brasil?
Emílio Gomes – Só posteriormente chegaram as notícias – de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do Paraná também. A preocupação que havia com a posição dos líderes regionais – Magalhães Pinto apoia ou não apoia? Como está Ney Braga no Paraná? E no Rio Grande do Sul, com o líder populista Brizola a conclamar o povo a tomar as armas, a manter o presidente Goulart?
José Wille – E depois dessa caminhada para o Palácio?
Emílio Gomes – Ao tentar descer a rampa que leva à garagem do Palácio do Planalto, fomos impedidos por uma sentinela em posição de tiro com uma metralhadora. Mas o deputado Costa Cavalcanti bradou “Não atire! Chame seu oficial do dia!”. E a sentinela, ouvindo uma voz de comando que lhe era familiar como militar, chamou o oficial do dia, com quem dialogamos. Então, descemos a rampa e tentamos subir no elevador, mas os elevadores estavam todos bloqueados. Posteriormente, vimos que, antes de o Palácio ser abandonado, haviam sido colocadas cadeiras, impedindo que as portas se fechassem e, consequentemente, imobilizando os elevadores. Fomos até o quarto andar, onde ainda estava o chefe da Casa Militar do João Goulart, pois nós não conhecíamos o Palácio. Depois, descemos até o terceiro andar, que era o gabinete de despacho do presidente da República, e lá já estavam o Áureo de Moura Andrade, presidente do Congresso, o Afonso Celso, vice-presidente da Câmara, e outros líderes de vários partidos de apoiamento da UDN, do PSD, da situação de Ranieri Mazzili – quer dizer, contra o João Goulart. Quando questionado por Afonso Celso se não deveríamos proceder à posse imediata do Mazzili, o senador Áureo de Moura Andrade disse “Vamos aguardar a vinda do chefe da Casa Militar e do presidente do Supremo Tribunal para legalização da posse do presidente”. E aguardamos. Nessa ocasião, Afonso Celso falou baixo no meu ouvido “Está armado? Porque o chefe da Casa Militar diz que vem depois, mas vem para prender todo mundo”. Mas foi um engano total. Nós estávamos, inclusive, bloqueando a porta para evitar que alguém chegasse ali. E quem chegou foi o chefe da Casa Militar do futuro governo do Ranieri Mazzili. Foi tranquilo. Passamos a madrugada toda montando guarda no gabinete do presidente, até que, no raiar do dia, começaram a chegar as tropas para montar guarda e, ainda assim, não sabíamos se eram a favor ou contra.
José Wille – Até esse momento não era visível a presença militar, ostensivamente, nas ruas de Brasília?
Emílio Gomes – Não, não era. Não se notou nada quando atravessamos o espaço entre a Câmara dos Deputados, passando através até do anexo do Senado. Nos jardins do Congresso, só tinha militar da guarda do Palácio.
José Wille – Na madrugada do dia seguinte, Brasília começou a ser tomada pelos militares, que chegavam para ocupar a capital?
Emílio Gomes – Essa movimentação me fez recordar um fato curioso: quando dirigíamos a Câmara dos Deputados, naquele período conturbado, na Estação Rodoviária de Brasília sempre se reuniam uns populares, que, lá de cima, jogavam pedras e paus quando passávamos de carro. Havia um movimento. Todos, afinal de contas, estavam contra essa situação que tentava se impor. Na posse do Castelo Branco, já eleito por via indireta, o novo presidente subiu ao Parlatório do Palácio do Planalto e as tropas, em frente ao Palácio, desfilavam, mas a multidão em frente ao Supremo Tribunal, que esteve 2, 3 dias, uma semana nos atirando pedra, estava lá aplaudindo o presidente que foi eleito. Qual foi o milagre? O mesmo povo que ontem atirava pedra hoje aplaudia!.
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